Dicas da Capital
21 de Novembro de 2017



Som: a história que não vemos

A estreita relação entre cinema e imagem ganha novos contornos na mostra “Som: A História Que Não Vemos”, onde o som se torna o principal protagonista da programação gratuita que chega ao Centro Cultural Banco do Brasil de Brasília, de 2 a 19 de novembro.

A curadoria de Bernardo Adeodato selecionou longas-metragens que marcaram a história da utilização do som, desde o primeiro filme com áudio sincronizado à imagem - “O cantor de Jazz” (1927) - até produções recentes do cinema nacional como “O som ao redor” (2012).

“O som sempre esteve presente nas nossas vidas. Desde o quarto mês de gestação, é o primeiro sentido que desenvolvemos. É por meio do som que se dá nosso primeiro contato com o mundo exterior. Com ele, nossa personalidade ganha seus contornos iniciais.” Conta Bernardo Adeodato. “Não é muito diferente com o cinema. O som sempre acompanhou sua história. Desde seu início, a sétima arte sempre quis ‘falar’. Mesmo quando eram mudos, os filmes se aproveitavam de músicas que intensificavam a experiência visual e ajudavam a esconder o ruído dos projetores. Cineastas como D.W Griffith e Fritz Lang faziam partituras de músicas específicas para serem tocadas com o filme.” Completa o curador.

Na programação, filmes de todos os gêneros, épocas e origens, com destaque para “M - O vampiro de Düsseldorf”, de Fritz Lang (Alemanha, 1931); “Cantando na chuva”, de Gene Kelly, Stanley Donen (EUA, 1952); “Era uma vez no Oeste”, de Sergio Leone (Itália/EUA/Espanha, 1968); “2001: Uma Odisséia no Espaço”, de Stanley Kubrick (EUA/Grã-Bretanha, 1968) e “Apocalipse Now Redux”, de Francis Ford Coppola (EUA, 1979).

Tudo começa em 1927, quando o filme O cantor de Jazz (The Jazz Singer) marca o início das exibições com áudio sincronizado à imagem, com pequenas linhas de diálogos sendo improvisadas pelo astro Al Jonson. A linguagem cinematográfica mudaria radicalmente nos anos seguintes, e o som passaria a sustentar cada vez mais a imagem, atribuindo ritmo e naturalidade aos filmes. A chegada do som afetaria o trabalho dos atores (que agora teriam que usar suas vozes) e o modo de produção das obras - um período muito bem descrito no clássico musical (gênero, aliás, criado diretamente pelo advento do som no cinema) Cantando na chuva (Singing in the Rain, 1952). Em pouco tempo, cineastas começaram a experimentar com o som, não só no que concerne os diálogos, mas também brincando com associações variadas com a imagem, como são os casos de “M  - O vampiro de Düsseldorf” (1931), do genial Fritz Lang, onde um assovio nos relaciona com o assassino antes mesmo de vermos seu rosto, e do ainda mais radical “Entusiasmo” (Enthusiasm, 1930), primeiro filme sonoro de Dziga Vertov.

Com o passar dos anos o cinema continuou a experimentar com a faixa sonora do filmes seja com ruídos ou música. O que seria das piadas de Jacques Tati em “Playtime” (1967),  da construção contra pontual do som e o uso do silêncio em “Persona” (1966), de Ingmar Bergman, ou da construção de tensão em filmes como “Era uma vez no oeste” (Once Upon a Time in the West, 1968), de Sergio Leone, e “2001: Uma odisséia no espaço” (2001: A Space Odissey, 1968), de Stanley Kubrick. No meio de toda essa mudança e evolução de linguagem um estilo viria a se associar ao som numa parceria que traria grandes avanços para o cinema. Em 1928, Walt Disney fez sua primeira animação com som, o curta “Steamboat Willie”, onde ruídos e música são essências para o desenvolvimento da história, seu ritmo e principalmente na criação de seu mundo fantástico. Em 1940 a Disney lança “Fantasia” (1940), uma animação construída a partir da música, pioneiro na tecnologia de reprodução multicanal, o primeiro filme feito em surround - infelizmente essa tecnologia era muito cara na época para que pudesse ser democratizada nas salas de exibição

Com tempo, o som tosco e ruidoso que era exibido em mono cedeu seu lugar para os sistemas surrounds de ultra potência e qualidade. Cada vez maior é o usos de efeitos, ambiências e de outros recursos sonoros para que realidades sejam reproduzidas e até mundos que nunca existiram sejam criados com autenticidade. Na década de 70, um filme crucial para o impulso estético e tecnológico e principalmente para a criação de conceito que amplia o papel do som e seu valor para contar uma história: “Apocalipse Now” (1979), de Francis Ford Coppola. É neste filme, impulsionados pelo trabalho de Walter Murch, que surge o profissional responsável por criar a concepção de som de uma obra do início ao fim do processo, o “sound designer” ou designer de som. Acompanhando esse movimento vemos o surgimento de diretores que dão grande importância ao som para criar e compor um mundo imaginário ou de sonho, onde questões filosóficas e psicológicas são destacadas como em “Eraserhead” (1977), de David Lynch, e “Stalker” (1979), de Andrei Tarkovsky.

Nas últimas décadas o som vem sendo cada vez mais explorado e ganhando importância na construção do cinema, a qualidade do som de um filme passou a ser valorizada no cinema de arte e de entretenimento. No brasileiro “O som ao redor”, de Kleber Mendonça Filho, o som fala do cotidiano, torna-se personagem e cenário da história, expandindo a tela de cinema (como os muros e grades de nossas casas), ajudando o espectador a se localizar espacialmente e narrativamente. O avanço da tecnologia permanece em curso. Vemos hoje a chegada do sistema Dolby Atmos, onde um número ilimitado de canais de áudio nos envolvem, fazendo com que o espectador pare dentro da tela, vivendo uma experiência única e fantástica como em “Gravidade” (Gravity, 2013), de Alfonso Cuáron.

Ainda assim, apesar de tudo, de mais de 80 anos de variadas experimentações, o cinema continua sendo pensado como uma arte primordialmente visual - apenas recentemente, por exemplo, a teoria crítica e academia de maneira geral se voltaram para a faixa sonora. “Som: a história que não vemos” vem, portanto, preencher uma lacuna sobre o conhecimento e atenção dada a essa ferramenta que não é simplesmente técnica e tem a capacidade de contar e delinear histórias, podendo aumentar o potencial dramático do cinema em grande escala. Esta mostra é direcionada para os mais diversos cinéfilos e audiófilos, mapeando toda a história do cinema sonoro através de alguns pontos cruciais de sua trajetória.

“‘Som: a história que não vemos’ é uma mostra dedicada a discutir e valorizar o uso do som, seja narrativamente, artisticamente ou criativamente; sublinhando sua função essencial no cinema contemporâneo, com sistemas surrounds e tecnologias que expandem cada vez mais seus limites.” Convida Bernardo Adeodato.
Dentro da programação, vale destacar a realização de sessões infantis nos fins de semana, sempre às 11 da manhã, com a exibição da animação da Disney “Fantasia” (1940), o primeiro filme feito em surround, nos dias 4 e 11 de novembro (sábados); e “Wall-E” (2008), de Andrew Stanton, nos dias 5 e 12 de novembro (domingos).

Com foco nos deficientes auditivos e visuais, a programação apresenta uma sessão especial do filme Gravidade (2013), de Alfonso Cuarón, no dia 14 de novembro, às 16:30, com tradução de libras e audiodescrição.

Uma grande novidade é a inclusão de duas sessões adaptadas às crianças com autismo: No sábado (18 de novembro), às 11 horas, a Sessão BB Azul de Cinema exibe “Fantasia”. Já no domingo (19 de novembro), às 11 horas, a Sessão BB Azul de Cinema traz “Wall-E “.

Além da exibição de filmes, será realizado um debate aberto ao público, no dia 16 de novembro (quarta), às 19 horas, com a participação do curador Bernardo Adeodato e dos cineastas Eduardo Nunes e Adirley Queirós.

Programação:
1ª Semana
Quinta, 02 de novembro
16h30 - O cantor de Jazz (1927 / 88' / 12 anos / Bluray)
18h30 - A conversação (1974 / 113' / 12 anos / Bluray)
Sexta, 03 de novembro
15h30 - O barco - Inferno em alto mar (1981 / 208' / 16 anos / Bluray)
19h30 - Sudoeste (2011 / 128' / 12 anos / 35mm)
Sábado, 04 de outubro
11h - Fantasia (1940 / 120' / Livre / Bluray)
16h30 - Cantando na chuva (1952 / 103' / Livre / Bluray)
18h30 - O som ao redor (2012 / 131' / 12 anos / 35mm)
Domingo, 05 de novembro
11h - Wall-E (2008 / 109' / Livre / Bluray)
16h30 - Andarilho (2008 / 80' / 12 anos Bluray)
18h30 - Stalker (1979 / 163' / 12 anos / 35mm)

2ª Semana
Terça, 07 de novembro
16h30 - Apocalipse Now (1979 / 153' / 16 anos / Bluray)
19h30 - Eraserhead (1977 / 85' / 16 anos / 35mm)
Quarta, 08 de novembro
16h30 - M - O vampiro de Düsseldorf  (1931 / 117' / 16 anos / Bluray)
19h30 - Era uma vez no Oeste (1968 / 164' / 12 anos / Bluray)
Quinta, 09 de novembro
17h30 - Gravidade (2013 / 91' / 12 anos / Bluray)
19h30 - 2001: Uma odisséia no espaço (1968 / 149' / 12 anos / Bluray)
Sexta, 10 de novembro
17h30 - Andarilho (2008 / 80' / 12 anos / Bluray)
19h30 - Stalker (1979 / 163' / 12 anos / 35mm)
Sábado, 11 de novembro
11h - Fantasia (1940 / 120' / Livre / Bluray)
16h - Alien - O oitavo passageiro (1979 / 117' / 16 anos / Bluray)
18h30 - Playtime (1967 / 115' / 12 anos / 35mm)
Domingo, 12 de novembro
11h - Wall-E (2008 / 109' / Livre / Bluray)
15h30 - Apocalipse Now Redux (1979 / 202' / 16 anos / Bluray)
19h30 - Persona (1966 / 85' / 12 anos / 35mm)

​3ªS​
emana
Terça, 14 de novembro
16h30 - Gravidade (2013 / 91' / 12 anos / Bluray)*
18h30 - 2001: Uma odisséia no espaço (1968 / 149' / 12 anos / Bluray)
*Sessão audiodescrição
Quarta, 15 de novembro
16h30 - Cantando na chuva (1952 / 103' / Livre / Bluray)
18h30 - O som ao redor (2012 / 131' / 12 anos / 35mm)
Quinta, 16 de novembro
16h30 - Sudoeste (2011 / 128' / 12 anos / 35mm)
19h - DEBATE: Bernardo Adeodato, Eduardo Nunes e Adirley Queirós
Sexta, 17 de novembro
16h - O barco - Inferno em alto mar (1981 / 208' / 16 anos / Bluray)
20h - Entusiasmo (1930 / 67' / 12 anos / Bluray)
Sábado, 18 de novembro
11h - Sessão BB Azul de Cinema - Fantasia
(sessão adaptada às crianças com autismo)
17h30 - Persona (1966 / 85' / 12 anos / 35mm)
19h30 - Eraserhead (1977 / 85' / 16 anos / 35mm)
Domingo, 19 de novembro
11h - Sessão BB Azul de Cinema - Wall-E  
(sessão adaptada às crianças com autismo)
16h - Alien - O oitavo passageiro (1979 / 117' / 16 anos / Bluray)
18h30 - Playtime (1967 / 115' / 12 anos / 35mm)

​Dica:
Mostra “Som: a história que não vemos”
De 2 a 19 de novembro
​​
Local: Cinema do CCBB
​ Brasília​
Entrada franca
​Mais informações: 3108-7600
​ / 
bb.com.br/cultura​


Deixe seu comentário




Outras opções da Agenda Cultural

De 03 de Outubro de 2017 até 17 de Dezembro de 2017
Transfigurações
A exposição apresenta uma seleção de mais de 100 fotografias​ de Roger Ballen,​ dividida em nove séries.​ A​​ mostra transporta o visitante através de uma jornada de transfigurações reais e simbólicas do artista.

saiba mais
De 07 de Novembro de 2017 até 14 de Janeiro de 2018
Dragão Floresta Abundante
A ​exposição é resultado d​a aventura d​o artista viajante​ Christus Nóbrega​ que ​trouxe suas impressões muito particulares da China e propõe ​a reflexão do público​.​

saiba mais
De 14 de Novembro de 2017 até 23 de Novembro de 2017
7º Festival Música na Estrada
O festival traz programações gratuitas de arte e cultura com o objetivo de formar plateias para apreciação musical e promover intercâmbios para a valorização de conteúdos artísticos de várias regiões do país.

saiba mais
De 20 de Novembro de 2017 até 25 de Fevereiro de 2018
Contraponto
A mostra Contraponto apresenta um recorte da Coleção Sérgio Carvalho priorizando seus contrapontos, diante de sua diversidade e subjetividade.

saiba mais
De 24 de Novembro de 2017 até 26 de Novembro de 2017
Método de Imersão com Raphael Costa
Raphael Costa​, especialista em desenvolvimento pessoal,​ ministra ​a 20ª edição​ do ​seminário “Método Imersão Conquiste uma década de avanços em 3 dias​".​

saiba mais
De 03 de Dezembro de 2017 até 03 de Dezembro de 2017
1, 2, 3 Testando!
Depois do sucesso de público em março deste ano, ​o ​humorista​ Marco Luque​ volta à cidade com o espetáculo 1,2,3 Testando!, ​alem de um ​convidado especial e muitas surpresas​.​

saiba mais
De 03 de Dezembro de 2017 até 03 de Dezembro de 2017
Era uma vez o Natal
O Natal vai chegar mais cedo em Brasília. O público de todas as idades vai se encantar com o espetáculo musical “Era uma vez o Natal”.

saiba mais
De 09 de Dezembro de 2017 até 09 de Dezembro de 2017
Caixinha de Música
Vanessa da Mata volta a Brasília com a turnê ​​Caixinha de Música​, onde a cantora e composit​ora canta os grandes sucessos d​e sua carreira​.

saiba mais

Capital Gourmet

Fotos, cardápios, localizações, promoções e sugestões para você se divertir em Brasília.


Cadastro

Ao se cadastrar você passa a receber e-mails com as melhores dicas da cidade, além de poder concorrer aos ingressos para shows, teatro, jantares e muito mais!



Promoções

Dica do dia



Era Uma Vez o Natal
Os principais clássicos infantis cantados e encenados ao vivo
numa inesquecível Noite de Natal.
Dia 3 de dezembro, domingo, às 14 horas, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães
.
Ingressos à venda no site naoperco.com , Lojas Cia Toy e Belini (113 Sul).

Mais informações: 
(61)
 
4101.1230 / 4101.1121

Acesse:
http://dicasdacapital.com.br/evento.php?evento=757




dicas da capital nas redes sociais



desenvolvido por: brunorios.com