Da Redação
Foto: Divulgação
No dia 23 de maio, a Cerrado Cultural inaugura as exposições Uma continuidade como respiro, de Claudio Tozzi, com curadoria de Cristiano Raimondi, e Abismal…Abissal, coletiva com curadoria de Tálisson Melo. As mostras ocupam espaços distintos da galeria e apresentam investigações em torno da imagem, do tempo e da interioridade na produção contemporânea. Com entrada gratuita, a visitação acontece até 25 de julho.
Claudio Tozzi – Uma continuidade como respiro
Em Uma continuidade como respiro, Claudio Tozzi reúne mais de vinte obras realizadas entre 1963 e os dias atuais, entre pinturas e esculturas, configurando um recorte que abrange mais de seis décadas de produção. Em vez de uma leitura cronológica, a exposição evidencia a permanência de um mesmo campo de investigação, no qual determinadas questões formais e conceituais se reorganizam ao longo de sua trajetória.
O título da mostra propõe a continuidade a partir de uma analogia com a respiração: um fluxo constante, natural e inevitável, que atravessa o tempo de maneira quase inconsciente, mas permanece aberto a pequenas variações e intensificações. Atuando como um prólogo, a histórica tela Paz II (1963–1964) já apresenta elementos que atravessam toda a sua produção: a fragmentação da imagem, a relação entre figura e estrutura e a presença de uma dimensão política inscrita na própria construção visual.
Claudio Tozzi (São Paulo, 1944) é um nome central da arte brasileira contemporânea. Sua trajetória se desenvolve em estreita relação com processos industriais de imagem, como as retículas derivadas da impressão gráfica em quadricromia, articulando relações entre arquitetura, urbanismo e percepção. Ao longo de sua carreira, participou de exposições em instituições como a Tate Modern, o MALBA e a Pinacoteca de São Paulo.
Com curadoria de Cristiano Raimondi, a mostra foi desenvolvida a partir de um longo diálogo com o artista e propõe uma leitura transversal de sua produção.
Abismal…Abissal (coletiva)
Já Abismal…Abissal, coletiva com curadoria de Tálisson Melo, parte das múltiplas camadas de sentido presentes nos termos que dão título à exposição. Derivadas da mesma raiz grega, ábyssos (“sem fundo”), “abismal” e “abissal” evocam ideias de profundidade, vertigem e interioridade.
Reunindo obras de 12 artistas de diferentes origens e trajetórias, a mostra articula figurações híbridas, paisagens, arquiteturas e estruturas geométricas atravessadas por memória, espiritualidade e imaginação.
As obras elaboram o interior não como espaço fixo, mas como condição instável e movediça, que desestabiliza qualquer noção rígida de origem.
Participam da mostra:
– Manuela Costa e Silva e Raquel Nava, com trabalhos que exploram figurações animais e híbridas;
– Abraão Veloso, Estevão Parreiras e Rebeca Miguel, em investigações sobre introspecções afetivas, escrevivência e questões metafísicas;
– Ana Hortides, Isabela Seifarth e Talles Lopes, em pesquisas sobre arquitetura e urbanismo vernacular em relação com a vida comum;
– Walter Pimentel, com obras voltadas a aparições e à espiritualização da matéria;
– Genor Sales e Tor Teixeira, com trabalhos que abordam paisagens do trabalho e relações entre terra, água e corpo;
– Raylton Parga, com investigações em abstração geométrica e linguagem das formas.
Curadoria
Cristiano Raimondi (Bolonha, Itália, 1978) é curador e historiador da arte, com formação em arquitetura pelo IUAV de Veneza. Atua internacionalmente com uma abordagem interdisciplinar que cruza arte contemporânea, design e ciências sociais, tendo desenvolvido projetos no Nouveau Musée National de Monaco, na Artissima (Turim) e na Fondation Prince Pierre. Sua pesquisa dedica atenção à produção brasileira, com publicações e projetos curatoriais voltados à obra de Alfredo Volpi, incluindo o livro Alfredo Volpi: A Poética da Cor, além de estudos sobre Rubem Valentim e Eleonore Koch.
Tálisson Melo (Juiz de Fora – MG, 1991) é curador, pesquisador e crítico de arte. Atua no desenvolvimento de projetos curatoriais e textos críticos voltados às práticas contemporâneas, articulando relações entre arte, imagem e pensamento. É curador-pesquisador no Memorial da Resistência de São Paulo e no Programa MASP Pesquisa. Doutor em Antropologia e Sociologia pela UFRJ, com estágio na Yale University, e pós-doutor pelo IEB-USP, onde pesquisou a noção de “cronopolítica” nas artes visuais. Assinou as mostras Fullgás – artes visuais e anos 1980 no Brasil (CCBB, Prêmio APCA) e Atualização do sistema (Museu Nacional da República, Prêmio ABCA).
Sobre a Cerrado Galeria
Com sedes em Brasília e Goiânia, a Cerrado Galeria atua na descentralização do mercado de arte e na valorização da produção do Centro-Oeste. Inaugurada em 2023, desenvolve um programa voltado à diversidade de linguagens, gerações e territórios, reunindo artistas consagrados e novos nomes da produção contemporânea em diálogo com diferentes contextos da arte brasileira. Seus espaços, instalados em edifícios singulares nas duas cidades, abrigam exposições, intervenções site-specific e ações educativas.
Dica:
Exposições: Uma continuidade como respiro, de Claudio Tozzi, e Abismal…Abissal, coletiva
Curadoria: Cristiano Raimondi e Tálisson Melo
Abertura: 23 de maio, às 11h
Período expositivo: 23 de maio a 25 de julho
Local: Cerrado Cultural – SHIS QI 05, Chácara 10, Lago Sul
Visitação: segunda a sexta, das 10h às 19h; sábado, das 10h às 13h
Entrada: gratuita
Instagram: @cerrado.galeria






