Da Redação
Foto: Bruno Aguiar
Estamos no Maio Verde, mês de conscientização sobre a doença celíaca, um período que amplia a discussão sobre segurança alimentar, contaminação cruzada e a importância de ambientes realmente seguros para pessoas que não podem consumir glúten. Mais que retirar ingredientes das receitas, a alimentação segura para celíacos exige processos rigorosos, controle em todas as etapas da produção e cuidados que vão desde os utensílios até o armazenamento dos alimentos.
Para quem convive com a doença celíaca, situações comuns do dia a dia, como comer em uma padaria, aceitar um convite para aniversários ou simplesmente fazer uma refeição fora de casa, também envolvem atenção, confiança e segurança alimentar. Isso porque pequenas quantidades de glúten ou traços da proteína já são suficientes para provocar reações e causar danos ao organismo.
A doença celíaca é uma condição autoimune causada pela ingestão de glúten, proteína presente no trigo, cevada e centeio. Quando consumido por pessoas celíacas, o glúten desencadeia uma resposta imunológica que agride o intestino delgado e pode provocar sintomas gastrointestinais, inflamações e outras complicações à saúde. Atualmente, o único tratamento é uma alimentação totalmente livre de glúten e sem traços da proteína, ou seja, sem contaminação cruzada.
Apenas retirar o trigo das receitas não garante que um alimento seja seguro. A contaminação cruzada pode ocorrer durante o preparo, por meio de utensílios, superfícies, fritadeiras, fornos, armazenamento compartilhado ou até partículas de farinha suspensas no ambiente.
Nesse cenário, estabelecimentos especializados e preparados para atender esse público ganham cada vez mais espaço em Brasília, oferecendo experiências gastronômicas mais seguras, acolhedoras e inclusivas para pessoas celíacas.

Em Brasília, a Quitutices (315 Sul) foi pioneira nesse movimento. Primeira confeitaria especializada em produtos sem glúten e sem lácteos da capital federal, a marca completa 10 anos em 2026 consolidando um trabalho voltado à inclusão alimentar e à segurança de pessoas celíacas e alérgicas à proteína do leite. A confeitaria nasceu da necessidade pessoal da chef Inaiá Sant’Ana de criar um ambiente realmente seguro para a filha, que possuía restrições alimentares, e desde então trabalha com produção exclusiva sem glúten e sem lácteos, além de rígido controle de insumos e processos para evitar contaminação cruzada.

Segundo Inaiá, ainda existe muita desinformação sobre o que realmente torna um alimento seguro para pessoas celíacas. “Muitas vezes, o estabelecimento oferece um prato sem glúten, mas prepara tudo no mesmo ambiente, utilizando os mesmos utensílios e equipamentos. Para os celíacos, isso representa risco. Segurança alimentar exige processos, treinamento e controle em todas as etapas”, explica.

Para a chef, a alimentação segura vai além da saúde física e impacta diretamente a vida social e emocional das pessoas celíacas. “Quando alguém encontra um lugar onde pode comer com tranquilidade, sem medo de contaminação cruzada, também encontra acolhimento e pertencimento. Poder participar de um café da tarde, de um aniversário ou simplesmente sair para lanchar com amigos ou familiares, sem preocupação, muda completamente a experiência. Afinal, a comida também faz parte da socialização, dos encontros e da convivência. Comer com segurança é, também, poder participar desses momentos com tranquilidade”, afirma.

Além da Quitutices, Brasília também conta com outros estabelecimentos voltados à alimentação restritiva, como a Senhora Amêndoa (316 Norte), Saucker (SCRN 702), Passos Sem Glúten (CLSW 303) e Lalow (SRTVS 701).
PARA SABER MAIS
Por que maio é chamado de Maio Verde?
O Maio Verde é o mês dedicado à conscientização sobre a doença celíaca. A campanha busca ampliar o acesso à informação sobre a condição, reforçar a importância do diagnóstico correto e chamar atenção para temas como segurança alimentar, contaminação cruzada e inclusão de pessoas celíacas na vida social.
O período reúne duas datas importantes:
16 de maio — Dia Mundial de Conscientização sobre a Doença Celíaca
20 de maio — Dia Nacional da Pessoa com Doença Celíaca
A cor verde simboliza conscientização, acolhimento e qualidade de vida para quem convive com restrições alimentares relacionadas ao glúten.
Dica:
Quitutices – CLS 315, loja 33 – Asa Sul | Segunda, das 12h30 às 20h; terça a sábado, das 10h às 20h | (61) 98303-5396.
Senhora Amêndoa – CLN 316, Edifício Nathalia Center – Asa Norte | Segunda, das 11h às 18h30; terça a sábado, das 10h às 19h30 | (61) 98110-8865
Saucker – SCRN 702/703, loja 01 – Asa Norte | Segunda a sábado, das 11h às 22h; domingo, das 12h às 16h e das 18h às 22h | (61) 99508-4161.
Passos Sem Glúten – CLSW 303, loja 74 – Sudoeste | Segunda, das 14h às 20h; terça a sexta, das 10h às 20h; sábado, das 10h às 19h30 | (61) 98128-2908










