Da Redação
Foto: Kika Antunes
Única obra do escritor Caio Fernando Abreu voltada para o público infantil, “A Comunidade do Arco-Íris” chega ao CCBB Brasília após temporadas de sucesso em São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. Com direção de Suzana Saldanha e supervisão de direção de Gilberto Gawronski, o espetáculo estreia nesta quinta-feira (12) e segue em cartaz até 29 de março.
A montagem propõe uma reflexão sensível sobre confiança, respeito, amizade, democracia e convivência coletiva, temas centrais do único texto infantil do autor gaúcho (1948–1996). O projeto conta com patrocínio do Banco do Brasil, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.
No elenco estão Bianca Byington, Raquel Karro, Gab Lara, Lucas Oradovschi, Lucas Popeta, André Celant, Renato Reston, Patricia de Farias, além dos stand-ins Aisha Jambo e Maksin Oliveira. O espetáculo conta ainda com participação especial em vídeo de Malu Mader, exibido na abertura.
A trama acompanha brinquedos e seres mágicos que decidem viver em comunidade em uma floresta, longe do mundo dos humanos, da poluição e do consumo desenfreado. A chegada de três gatos ao local provoca debates sobre convivência, diferenças e democracia. O universo criado lembra uma espécie de rave ou festa hippie, onde personagens como uma sereia cansada da poluição dos mares, uma bruxa de pano, um soldadinho pacifista com vocação para jardinagem, um mágico incompreendido e um roqueiro em busca de tranquilidade convivem em harmonia.
No papel da Bruxa de Pano, Bianca Byington destaca o tom surpreendentemente leve do texto. “É um Caio que não perde o sarcasmo, mas se apresenta de forma delicada. Impressiona como, já em 1971, ele abordava a questão ambiental de maneira simples, sem militância, mas tocando no essencial: a insatisfação com o consumo e o mundo capitalista”, comenta a atriz.
O cenário interativo, criado por Sérgio Marimba, é composto por uma grande estrutura de ferro flexível, que dialoga com a iluminação de Aurélio de Simoni e os figurinos de Danielly Ramos. O espaço convida as crianças a mergulharem em um universo lúdico e colorido, permitindo que os atores se movimentem livremente pelo cenário.
Segundo Gilberto Gawronski, a obra convida o público infantil a refletir sobre coletividade e diversidade. “Não é um texto que trata diretamente de empoderamento feminino, racismo ou gênero, mas abrange tudo isso. O Arco-Íris de Caio é uma ode à diversidade, a um lugar alternativo e utópico, onde a diferença é respeitada”, afirma.
A direção musical é de João Pedro Bonfá, que mescla canções gravadas e música ao vivo. O espetáculo conta ainda com uma composição-tema assinada por Tony Bellotto e seu filho, João Mader, inspirada no hino da Comunidade do Arco-Íris citado no texto original. “Transformamos a música em um rock’n’roll no estilo Titãs, gravado ao vivo em estúdio, o que trouxe uma sonoridade potente e muito interessante para a cena”, explica Bonfá.
Suzana Saldanha e Caio Fernando Abreu
“Apesar de escrita há mais de 40 anos, trata-se de uma peça ecológica e atual. Caio denúncia, naquela época, o mesmo que denuncio hoje, em 2024”, diz Suzana Saldanha, que participou da fundação do inovador Grupo de Teatro Província de Porto Alegre, em 1970, onde trabalhou com Caio Fernando Abreu. “Além de jornalista e escritor, era um belíssimo ator”, lembra. Logo depois, em 1971, Caio escreveu “A Comunidade do Arco-Íris”.
“O texto fala de forma poética sobre esse movimento de pessoas se organizando em comunidades, no auge da ditadura. Para nós, artistas, estava muito ruim. Mas nem todos iam da cidade para o campo. Caio foi para uma comunidade em Londres. Já eu fui morar, em 1973, com colegas de faculdade no Centro de Arte Sensibilização e Aprendizagem, onde também funcionava uma escola de teatro, em Porto Alegre”, recorda.
Quando volta ao Brasil em 1979, Caio entrega A Comunidade do Arco-Íris nas mãos de Suzy Baby, como chamava a amiga Suzana. “Eu fiquei louca com o texto”, lembra a diretora, que, no mesmo ano, estreia o espetáculo sob sua direção. Em 2008, a diretora contribui para a montagem da peça com crianças da Escola Carlitos (SP).
Em 2018, um novo encontro com a obra: Suzana apresenta o texto ao amigo e produtor Flávio Helder, que se apaixona, e decidem remontá-lo. “Eu quero mostrar ao público o lado amoroso e divertido de Caio Fernando, um autor que ficou muito marcado como porta-voz do mundo gay e que não conheceu a fama em vida, mas que hoje é lido por todos, sobretudo o público jovem”, afirma a artista.
Acessibilidade
A ação “Vem pro CCBB” conta com uma van que leva o público, gratuitamente, para o CCBB Brasília, de quinta a domingo. A iniciativa reforça o compromisso com a democratização do acesso e a experiência cultural dos visitantes. A van fica estacionada próxima ao ponto de ônibus da Biblioteca Nacional.
O acesso é gratuito, mediante retirada de ingresso no site, na bilheteria do CCBB ou ainda pelo QR Code da van. Lembrando que o ingresso garante o lugar na van, que está sujeita à lotação, mas a ausência de ingresso não impede sua utilização. Uma pesquisa de satisfação do usuário pode ser respondida pelo QR Code que consta do vídeo de divulgação exibido no interior do veículo.
Horários da van | De quinta a domingo
Biblioteca Nacional – CCBB: 13h, 14h, 15h, 16h, 17h, 18h, 19h e 20h
CCBB – Biblioteca Nacional: 13h30, 14h30, 15h30, 16h30, 17h30, 18h30, 19h30, 20h30 e 21h30
Dica:
A Comunidade do Arco-Íris
De 12 a 29 de março
Sessões: sexta, às 16h; sábados e domingos, às 11h e 16h
Sessão com libras: dia 21 de março, às 16h
Local: CCBB Brasília (SCES Trecho 02 Lote 22 – Edif. Presidente Tancredo Neves)
Ingressos: R$ 30,00 (inteira) e R$15,00 (meia)
Ponto de venda: pelo site www.bb.com.br/cultura ou na bilheteria do CCBB
Classificação indicativa: Livre
Instagram: @ccbbbrasilia












